sábado, 31 de outubro de 2009
domingo, 25 de outubro de 2009
1ºCOL; CDN 3 - Cultura: privilégio dos homens?
Um ótimo artigo do site "Com Ciência" sobre se existe ou não cultura animal. Boa leitura!! ahh, e não, não existem macacos mafiosos :P.
Cultura: privilégio dos homens?
Por Susana Dias
Em vários animais já foram descritos casos de comportamentos inventados por um indivíduo e aprendidos por outros do grupo. Há casos clássicos entre os primatas. Em chimpanzés têm sido observadas as possibilidades destes se reconhecerem e atribuírem individualidades a outros de sua espécie, de classificarem plantas e selecioná-las para sua alimentação, de usarem ferramentas para obter alimento, de ensinarem a seus filhotes, de cooperarem para solucionar problemas e de criarem estratégias sociais de comunicação, inclusive aprendendo linguagens de sinais dos humanos. Esses comportamentos descritos por pesquisadores das ciências naturais escapam às explicações genéticas e têm sido associados à noção de cultura em animais. Mas seriam esses resultados suficientes para dizer que os animais são seres culturais? A resposta à questão não parece ser simples mesmo para os pesquisadores. Para alguns, afirmar categoricamente que animais não têm cultura é esquivar-se de um interessante debate que os resultados dos estudos em comportamento animal podem promover.
O uso da noção de cultura pelas biociências recoloca a discussão entre ciências naturais e humanas, em especial entre a biologia e a antropologia. “Não há mais consenso acerca de que os seres humanos sejam os únicos a desenvolver vida coletiva complexa, produzir cultura, lutar por status e poder, reconhecer seus semelhantes e repassar conhecimentos para as gerações futuras”, comenta a cientista social Eliane Sebeika Rapchan, da Universidade Estadual de Maringá. Para ela, esses resultados colocam a necessidade de uma aproximação entre as áreas do conhecimento. Uma aproximação, entretanto, “difícil e delicada” porque “tais resultados têm o potencial de impactar as representações da natureza e, ao mesmo tempo, promover alterações nas relações entre as disciplinas envolvidas no problema, trazendo contribuições para o debate sobre as relações natureza/cultura ou ainda, para a redefinição das fronteiras do que se entende por humano e não-humano”, argumenta.
Animais têm cultura?
O ecólogo Paulo Sérgio Moreira Carvalho de Oliveira, do Departamento de Zoologia, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), diz que as pesquisas em comportamento animal têm levado a uma resposta afirmativa para a questão, ou seja, animais têm cultura. Oliveira define cultura como “um traço comportamental que passa para a geração seguinte por aprendizado ou por imitação” e a transmissão cultural como “a transferência de informação através do ensino ou do aprendizado social”. Apresenta vários exemplos observados em animais: mães guepardo que machucam presas para ensinar os filhotes a caçar; chimpanzés que usam folhas como verdadeiras esponjas para recolher água de locais de difícil acesso, como troncos ocos de árvore; a criação de estratégias, por macacos, para quebrar frutos, batendo-os contra pedras ou árvores; chimpanzés que usam gravetos para comer cupins, como se fossem “palitinhos de restaurante chinês”. Estes comportamentos são transmitidos entre os indivíduos dos grupos por imitação. “Qual a diferença entre o que faz o chimpanzé e uma mãe que ensina uma criança a comer? Quando ensinamos um filho a comer com um garfo, ou ensinamos um filho a caçar, a buscar alimento, podemos considerar que esses ensinamentos são traços culturais que estamos transmitindo?”, pergunta-se o ecólogo. “Bichos fazem isso. Eles fabricam coisas, os filhos aprendem com os pais e o uso dos instrumentos é perpetuado por gerações, por aprendizagem”, argumenta. (conheça mais do pesquisador em sua página pessoal).
Catação, aprendizagem social, conflitos, cuidado parental, desenvolvimento de técnicas de forrageamento, práticas sexuais, posturas corporais, criação e uso de ferramentas, relações entre mães e filhotes, hierarquia, são alguns dos aspectos dos comportamentos animais que têm sido observados por estudiosos das ciências naturais e que são relacionados à noção de cultura.
Porém, um dos problemas de se afirmar a existência de cultura em animais, para o antropólogo Guilherme José da Silva e Sá, está na noção “restrita” de cultura que tem sido utilizada. Perguntado se os animais produzem e transmitem cultura, respondeu: “Se cultura significa somente produzir e transmitir práticas, com as quais nós seres humanos nos identificamos, eu diria que sim, mas tenho certeza de que qualquer não-humano ficaria insatisfeito com as limitações implicadas nessa definição”. Afirmar simplesmente que os animais não têm cultura ou que cultura é exclusividade dos seres humanos é, para o antropólogo, esquivar-se de um debate importante para a biologia e antropologia. O debate, que no Brasil atualmente não acontece, ou está restrito a pequenos fóruns, permitiria trazer discussões que estão na relação entre essas duas áreas do conhecimento, bem como repensar suas formas de olhar e produzir conhecimentos sobre humanos, não-humanos e suas relações.
Guilherme Sá, que faz doutorado em antropologia no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e atua como professor na Universidade Federal de Santa Maria, propõe que toda e qualquer discussão envolvendo a questão da cultura em não-humanos surja a partir de categorias próprias aos animais. “Nada muito diferente daquilo que conhecemos em antropologia ao falar que uma determinada cultura tem seu significado e lógica própria. É claro que isso se torna ainda mais árduo em função de nossa inadequação para operar do ponto de vista de um não-humano na sociedade ocidental”, diz. Para o antropólogo, os animais (não-humanos) sempre foram seres culturais, não porque apresentam este ou aquele traço específico, ou porque realizam determinada prática ou função, mas simplesmente porque há muito estão inseridos em relações culturais. Ele sugere um deslocamento da atenção dos termos humano e não-humano para as relações que os mediam, como possibilidade de se encontrar cultura. “Uma idéia de cultura em transformação e que relaciona esses coletivos de humanos e não-humanos”, diz.
A cientista social Eliane Rapchan também sugere que as ciências naturais ampliem a noção de cultura que vêm utilizando. No caso das “culturas de chimpanzés”, objeto de seu estudo de doutorado, ela identifica um isolamento na forma como cada aspecto do comportamento é tratado pelos pesquisadores. A ausência de estudos que focalizem as interações de um comportamento sobre outro, no interior do mesmo grupo dificulta, na opinião de Rapchan, “o acesso à existência de algum tipo de sentido nesses comportamentos, caso exista. Esse é o outro aspecto importante pois o significado é algo central para a noção antropológica de cultura”. A pesquisadora ressalta que, para a etnografia, o registro do comportamento é incompleto se não estiver de algum modo associado aos seus próprios sentidos. Por isso a dimensão simbólica torna-se central para a antropologia. Ela destaca os estudos que focalizam a capacidade de simbolizar entre os não-humanos, como os propostos por Steven Mithen, como uma “abordagem que melhor atende ao debate sobre a existência ou não de cultura entre os chimpanzés”. (leia mais no artigo da pesquisadora: “Chimpanzés possuem cultura? Questões para a antropologia sobre um tema 'bom para pensar'”
Bicho também é gente
A expressão acima leva ao extremo a idéia de humanização dos animais. Embora não seja nesse extremo que se situam os estudos em comportamento animal, a biologia aposta na humanização dos animais como forma de compreender seus comportamentos. Os animais usam ferramentas, tais como os humanos, ensinam os filhos, tais como os humanos, fazem guerra e política, tais como os humanos. Nesse caminho, também estão alguns movimentos em defesa dos animais, dos direitos dos animais, que apostam na aproximação entre humanos e animais para criar uma nova sensibilidade em relação aos não-humanos. O inverso também tem sido uma aposta das ciências biológicas: somos animais também! Entretanto, a antropologia aponta problemas nessa forma de aproximação tanto para se pensar as singularidades dos humanos, quanto dos não-humanos.
Para Guilherme Sá o problema reside em caracterizar cultura como um conjunto de práticas humanas e, mesmo sem perceber, projetá-las sobre os não-humanos. O olhar antropomorfizado (ver os animais como homens) limitaria a compreensão da cultura dos animais. “Certamente haverá muito mais cultura em um animal do que aquela a qual somos limitados a entender enquanto humanos”, diz. O desafio seria pensar que, se os animais possuem cultura, muitas coisas que eles fazem não são denominadas de “culturais” porque não se assemelham com a cultura em humanos. “Para falar em ‘culturas animais’ seria preciso pensá-la ontologicamente, da mesma forma que abordamos as culturas humanas. É preciso que nos aprofundemos nas relações intrínsecas não-humanas, e para isso teremos que diminuir a distância que nos separa deles. Se o antropomorfismo é incontornável, que pelo menos este se dê na relação que nos aproxima enquanto condição, e não naquilo que nos distingue enquanto espécie”, sugere.
Já Elenise Cristina Pires de Andrade, bióloga, professora do ensino médio e doutoranda da Faculdade de Educação da Unicamp, acredita que o uso da noção de cultura pelos estudos em comportamento animal irá circunscrever o entendimento desses seres. “A noção de cultura limita o entendimento de humanos e não-humanos, desenha uma estrutura de memória, visibilidade, conhecimento, sensibilidade. Cria uma bolha cultural identitária, demarcatória dos indivíduos, sejam eles humanos ou não”, diz. Na opinião da pesquisadora, que no mestrado buscou pensar “o ser ou o tornar-se humano” nos currículos de ciências, uma ontologia dos não-humanos continuaria em busca da essência desses seres, assim como acontece com a noção de cultura em humanos. “Como fazer um deslocamento que não procure as diferenças a partir de uma essência de humanos e não-humanos?”, pergunta-se. E sugere que talvez seja necessário pensar “que o humano passa por outros lugares, nas relações com todos os seres-objetos, habitantes do mundo. A saída talvez seja não humanizar os animais, mas desumanizar o humano, não buscar mais sua essência, suas características intrínsecas, mas tomá-lo em constante transformação, devir-qualquer-coisa”. (Conheça mais sobre as idéias da pesquisadora lendo o artigo “Vejo o que desejo, desejo o que vejo: perturbações curriculares com/nas/nos alunas, alunos e professora de pedagogia das faculdades Network-SP”
sábado, 27 de junho de 2009
1ºCOL; 2ºBI - Texto base para a prova
O Senso Comum
O senso comum é visto como a compreensão de todas as coisas por meio do saber social, ou seja, é o saber que se adquire através de experiências vividas ou ouvidas do cotidiano. Engloba costumes, hábitos, tradições, normas, éticas e tudo aquilo que se necessita para viver bem.
No senso comum não é necessário que haja um parecer científico para que se comprove o que é dito, é um saber informal que se origina de opiniões de um determinado indivíduo ou grupo que é avaliado conforme o efeito que produz nas pessoas. É um saber imediato, subjetivo, heterogêneo e acrítico, pois se conforma com o que é dito para se realizar, utiliza várias idéias e não busca conhecimento científico para ser comprovado.
De maneira espontânea e sem querer as pessoas utilizam o senso comum a quase todo o momento: Ex: Quando se está com o intestino preguiçoso e a vizinha diz que ameixa e mamão é bom para ajudar o intestino, o que é que se faz? Corre para casa e se empanturra de ameixa e mamão. Isso é senso comum, a utilização de um método criado a partir de uma experiência natural.
O senso comum difere-se em alguns aspectos com a ciência, pois a ciência busca a verdade em todas as coisas por meio de testes e comprovações, enquanto o senso comum é utilizado antes mesmo que se saiba se o método empregado traz o que se espera. A ciência é objetiva, busca critérios, avalia, busca leis de funcionamento, reúne a individualidade existente em cada lei para formar uma só estrutura e isso sem procurar semelhança entre elas, se renova, se modifica e busca sempre se firmar no conhecimento.
A Revolução Industrial, ocorrida na Europa (principalmente na Inglaterra) no século XVIII, mudou radicalmente a estrutura da sociedade. Homens passaram a ser substituídos por máquinas, que produziam mais e custavam muito menos. Isto fez com que os problemas sociais aumentassem, pois muitas pessoas que antes trabalhavam de forma artesanal, ficaram sem emprego. Eram acostumadas à uma forma mais lenta de vida, no meio rural, trabalhando apenas para sobreviver da terra. Agora passariam a trabalhar muito mais para os empresários, ganhando as vezes menos do que estavam ganhando antes.
A sociedade se dividiu em Burgueses, os que detinham as fábricas e controlavam a economia, e os Proletariados, que tinham a força de trabalho. O capitalismo se fortaleceu, quem produzisse mais, estava acima dos outros.
A sociologia como disciplina científica surgiu no início do século XIX, como uma resposta acadêmica para o novo desafio da modernidade: o mundo estava se tornando cada vez menor e mais integrado, a consciência das pessoas sobre o mundo estava aumentando e dispersando. Os sociolólogos não só esperavam entender o que mantinha os grupos sociais unidos, mas desenvolver um “antídoto” para a desintegração social.
domingo, 21 de junho de 2009
Atualidades em Foco: Eleições no Irã
Muito tem se falado do conflito eleitoral do Irã, mas as vezes não temos a percepção correta de só ouvir falar, e as vezes ainda temos uma ideia muito errada sobre outros povos e países. Por isso resolvi postar esse link com fotos do conflito no Irã. clique na foto que ilustra o post pra ser direcionado ao site com as fotos.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Cuidado com o que Ouvem
Orelhas em pé e acreditando em tudo o que ouve... NOTA: se preferir, pode ler esse artigo direto do site dele (basta clicar aqui).
Cuidado com o que Ouvem
Por stephen kanitz
Vigilância epistêmica é uma expressão mais elegante do que aquela palavra que todos nós já conhecíamos por “desconfiômetro”, que nossos pais nos ensinaram e infelizmente a maioria de nós esqueceu. Estudos mostram que crianças de até 3 anos são de fato ingênuas, acreditam em tudo o que vêem, mas a partir dos 4 anos percebem que não devem crer. Por isso, crianças nessa idade adoram mágicas, ilusões óticas, truques. Assim, elas aprenderão a ter vigilância epistêmica no futuro.
Lamentavelmente, muitos acabam se esquecendo disso na fase adulta e vivem confusos e enganados, porque não sabem mais o que é verdade ou mentira.
Nossa imprensa infelizmente não ajuda nesse sentido; ela também não sabe mais separar o joio do trigo. Hoje, o Google indexa tudo o que encontra pela frente na internet, mesmo que se trate de uma grande bobagem ou de uma grande mentira. Qualquer “opinião” é divulgada aos quatro cantos do mundo. O Google não coloca nos primeiros lugares os sites da Universidade de Oxford, Cambridge, Harvard ou da USP, supostamente instituições preocupadas com a verdade. In veritas é o lema de Harvard. O Google não usa sequer como critério de seleção a “qualificação” de quem escreve o texto no seu algoritmo de classificação. Ph.Ds., especialistas, o Prêmio Nobel que estudou a fundo o verbete pesquisado aparecem muitas vezes somente na oitava página classificada pelo Google. Avaliem o efeito disso sobre a nossa cultura e a nossa sociedade a longo prazo.
Todos nós precisamos estar atentos a dois aspectos com relação a tudo o que ouvimos e lemos:
• Se quem nos fala ou escreve conhece a fundo o assunto, é um especialista comprovado, pesquisou ele próprio o tema, sabe do que está falando ou é no fundo um idiota que ouviu falar e simplesmente está repassando o que leu e ouviu, sem acrescentar absolutamente nada.
• Se o autor está deliberadamente mentindo.
Discordo profundamente desses gurus, estamos na realidade na “Era da Desinformação”, de tanto lixo e “ruído” sem significado científico que nos são transmitidos diariamente por blogs, chats, podcasts e internet, sem a menor vigilância epistêmica de quem os coloca no ar. É mais uma conseqüência dessa visão neoliberal de que todos têm liberdade de expressar uma opinião, como se opiniões não precisassem de rigor científico e epistemológico antes de ser emitidas.
Infelizmente, nossas universidades não ensinam epistemologia, aquela parte da filosofia que nos propõe indagar o que é real, o que dá para ser mensurado ou não, e assim por diante.
Embora o ser humano nunca tenha tido tanto conhecimento como agora, estamos na “Era da Desinformação” porque perdemos nossa vigilância epistêmica. Ninguém nos ensina nem nos ajuda a separar o joio do trigo.
Foi por isso que as “elites” intelectuais da França, Itália e Inglaterra no século XIV criaram as várias universidades com catedráticos escolhidos criteriosamente, justamente para servir de filtros e proteger suas culturas de crendices, religiões oportunistas e espertos pregando mentiras.
Há 500 anos nós, professores titulares, livres-docentes e doutores, nos preocupamos com o método científico, a análise dos fatos usando critérios científicos, lógica, estatísticas de todos os tipos, antes de sair proclamando “verdades” ao grande público. Hoje, essa elite não é mais lida, prestigiada, escolhida, entrevistada nem ouvida em primeiro lugar. Pelo contrário, está lentamente desaparecendo, com sérias conseqüências.
Stephen Kanitz é administrador (www.kanitz.com.br)
A Lenda do Beijo Infeccioso – Parte 2
Quem tiver paciência, vale muito a pena ler toda a postagem e comentários. O mais interessante não são as pessoas que desmentem o fato, mas justamente as que tentam confirmá-lo : o nível de incoerência e contradições entre as versões entrega a inverdade da história! Aparentemente, todo mundo conhece pessoalmente a “menina” do causo, só que as histórias nunca batem, e (pior) se passam em cidades diferentes (São Paulo, Goiânia, São José do Rio Preto, Uberlândia etc).
Também nos comentários, alguém postou um link para um famoso site anti-lendaurbanifero (:P) que mostra que essa pataquada de beijo contaminado começou pelas bandas de Londres (em 2003!!!). até perdôo a ingenuidade brasileira, mas a falta de originalidade é de amargar O_o.
Por ultimo, gostaria de lembrá-los que existem SIM pessoas que transam com cadáveres (necrófilos), bem como trocentas doenças que podem ser transmitidas por fluidos bucais (também conhecidos como “baba”): gripe, dor de garganta, herpes, meningite, gonorréia, sífilis, sapinho et cetera. Obviamente, o fato de tais coisas existirem não implica EM NADA na veracidade da lenda urbana do beijo infeccioso (que meda!).
Agora me dêem licença que tenho que colocar meu saci de garrafa pra tomar um solzinho...
1º COL; 1º BI - O treino do olhar
segunda-feira, 15 de junho de 2009
A Lenda do Beijo Infeccioso - Parte 1
Pobres crianças, nem imaginam o perigo que correm!! :PVocês também podem ler o artigo direto do blog das moças (clicando aqui). Boa leitura!!
Boatos e especulações ganham valor de fatos e ocupam o imaginário dos goianienses
domingo, 14 de junho de 2009
1ºCOL; 1ºBI- Viva a experiência de ser um naufrago!!
Segue abaixo uma lista de jogos (gratuitos e pagos) que permitem você experimentar virtualmente a sensação de ser um naufrago perdido em uma ilha. Mãos a obra!!
Ahh...Para baixar (ou ser direcionado ao site com mais informações), clique no nome do jogo. Caso queira mais informação e ajuda para o jogo, o bom e velho google ajudará você (você pode até descobrir códigos que possibilitem trapaça no jogo – assim você jogará que nem os alunos que achavam uma boa idéia esperar milagres :P)
Jogos gratuitos
Stranded II – jogo em primeira pessoa (você não vê seu personagem, mas vê com os “olhos” dele). Aparenta ser razoavelmente realista. Em 3D, com bons gráficos, versões MOD e ilhas extras pra baixar. Recomendável o mínimo de conhecimento de inglês pra se poder jogar.
Schiffbruch 1.0 – joguinho mais antigo, mas também enfocado no realismo. Os gráficos não são bonitos como no anterior, mas em compensação o conhecimento sobre a língua inglesa não precisa ser tão bom.
Jogos pagos ($$$)
Lost Island - Surviving 1.0.3 – jogo de sobrevivência com gráficos bacaninhas e aparentemente realista. Já tinham disponibilizado o jogo completo e gratuito, mas (vai saber porquê) não se acha mais na net...
The Sims 2 – Histórias de Náufragos – Mais uma expansão da milionária série “The Sims”. Jogo caprichado, mas com enfoque pouco realista.
The Sims 2 Náufrago – versão para celular e smartphones do mesmo jogo citado acima (joguem na minha aula e ficarão sem celular por uns dias :P).
Virtual Villagers 3: The Secret City – jogo quase nada realista sobre a vida numa ilha deserta (postei aqui por uma questão de democracia).
Wonderland Online 2.0.3 – RPG on-line menos realista ainda que o de cima (sim, democracia as vezes é uma droga :P).
Outros
Johnny Castaway Screen Saver – não é jogo e também não é realista, mas é um screen saver divertido pra dedéu (e é di grátis).
quinta-feira, 11 de junho de 2009
sábado, 6 de junho de 2009
1ºCOL; 1ºBI- LINCHAMENTO
(Arte by Baptistão)QUINHENTOS MIL CONTRA UM -Linchamento é fruto de um Estado débil. No ranking do horror, São Paulo, Salvador e Rio lideram
POR: Flávia Tavares - O Estado de S.Paul
SÃO PAULO - No fim de semana passado, três homens suspeitos de roubo foram linchados na periferia de Salvador. No sábado, Emílio Oliveira Silva e Michael Santa Izabel, acusados de saquear residências da vizinhança, foram linchados por mais de 30 pessoas. Emílio foi morto a pauladas. Domingo, a vítima foi um homem de identidade desconhecida. Ele também foi perseguido por mais de 30 moradores, que o acusavam de roubar uma TV. Morreu no local, a 200 metros de onde Emílio e Michael foram atacados. Na noite de segunda-feira, em Ribeirão Preto (SP), o estudante Caio Meneghetti Fleury Lombardi, que invadiu um posto de gasolina, atropelou o frentista Carlos Pereira Silva e tentou fugir, sofreu uma tentativa de linchamento. Por fim, na quinta-feira, um adolescente da Fundação Casa (ex-Febem) foi linchado até a morte por outros internos, em Franco da Rocha (SP).
Foram cinco casos noticiados em 6 dias. Não se trata de uma epidemia - em nosso contexto, é algo normal. José de Souza Martins, sociólogo e colaborador do Aliás, estuda linchamentos há quase 30 anos e documentou 2 mil casos. Ele faz uma estimativa surpreendente: no Brasil, possivelmente o país que mais lincha no mundo, há 3 ou 4 casos por semana. Geralmente, nas periferias das cidades, com São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro à frente.
A análise minuciosa de como se dão essas atrocidades é dolorosa, mas reveladora. Mais de 500 mil brasileiros e brasileiras, incluindo crianças, participaram de linchamentos nos últimos 50 anos - e quase ninguém foi punido. A seqüência de agressões vai do apedrejamento à mutilação. Não é uma questão de pura maldade: é a população agindo, equivocadamente, onde a Justiça não atua.
José de Souza Martins, de 69 anos, professor de sociologia da Faculdade de Filosofia da USP, está lançando dois livros - uma reedição ampliada de Sociabilidade do Homem Simples (Ed. Contexto) e o inédito A Aparição do Demônio na Fábrica (Ed. 34), ambos sobre a cultura operária. Na entrevista a seguir, ele discorre sobre o fenômeno do linchamento, tema que pretende, em breve, transformar em livro.
O Brasil é o país que mais lincha no mundo?
Possivelmente. Isso nos últimos 50 anos, período que minha pesquisa abrange. Não dá para ter certeza, porque linchamento é o tipo de crime inquantificável. Mesmo os americanos, quando tentaram numerar seus casos, tiveram fontes precárias. O linchamento é um crime altruísta, ou seja, um crime social com intenções sociais. O linchador age em nome da sociedade. É um homem de bem que sabe que está cometendo um delito e não quer visibilidade. Por outro lado, no Código Penal brasileiro não existe o crime de linchamento, somente o homicídio. Então, ele não aparece nas estatísticas. Os casos são diluídos. Estimo que aconteçam de 3 a 4 linchamentos no País por semana, na média. São Paulo é a cidade que mais lincha. Depois, vêm Salvador e Rio de Janeiro.
Que análise o senhor faz de um país habituado ao linchamento?
As sociedades lincham quando a estrutura do Estado é débil. Há momentos históricos em que isso acontece. Na França, depois da 2ª Guerra Mundial, quando não havia uma ordem política, havia a tonsura (a raspagem dos cabelos) de mulheres que tiveram relações sexuais com nazistas. Era uma forma de estigmatizar, para que ela ficasse marcada. O linchamento original, nos Estados Unidos, tinha essa característica.
O que configura um linchamento?
É uma forma de punição coletiva contra alguém que desenvolveu uma forma de comportamento anti-social. O anti-social varia de momento para momento e de grupo para grupo. Na França, ter traído a pátria era um motivo para linchar. No caso da Itália, aconteceu o mesmo. No Brasil, é o fato de não termos justiça, pelo menos na percepção das pessoas comuns. Nesse caso do atropelamento de um frentista em Ribeirão Preto, por exemplo, o delegado decidiu inicialmente por crime culposo (depois mudou para doloso). As pessoas que tentaram linchar o rapaz acreditavam que não haveria justiça, já que a pena seria mais leve por conta da atenuante.
Qual o perfil de quem é linchado?
Em geral, é linchado o pobre, mas há várias exceções. Há uma pequena porcentagem superior de negros em relação a brancos. Se um branco e um negro, separadamente, cometem o mesmo crime, a probabilidade de o negro ser linchado é maior.
Que criminoso é mais vulnerável?
O linchado pode ser desde o ladrão de galinha até o estuprador de criança. Sem dúvida, os maiores fatores são os casos de homicídio. Se a vítima do assassino é uma criança ou um jovem, ou se houve violência sexual, os linchamentos são freqüentes. Há muitas ocorrências por causa de roubo, especialmente se o ladrão é contumaz. Acredito que tenha sido o caso dos rapazes em Salvador. A própria população estabelece uma gradação da pena que vai impor ao linchado. Esta é a dimensão de racionalidade num ato irracional.
Como funciona essa gradação?
Um ladrão de galinha vai sair muito machucado - e pode acontecer de ele morrer. Mas o risco de ser queimado é mínimo. Com o estuprador é o contrário. Há também uma escala de durabilidade do ódio. Se um ladrão sobreviver durante 10 minutos de ataque, está salvo. Tem havido muitas tentativas de linchamento em acidentes de trânsito. Mas normalmente a polícia chega logo e evita o ataque.
Mulheres são linchadas?
É raríssimo. Nos 2 mil casos que estudei, há dois ou três em que uma mulher foi a vítima. Agora, há muitas mulheres linchadoras no Brasil. Mulheres e crianças.
Quem são os linchadores no Brasil?
Não há tanto uma divisão de ricos e pobres. De modo geral, os linchamentos são urbanos. Ocorrem em bairros de periferia. Porém, há linchamentos no interior do País, onde quem atua é a classe média. O caso mais emblemático é o de Matupá, no Mato Grosso. O linchamento foi filmado e passado pela televisão, no noticiário. Três sujeitos assaltaram o banco, a população conseguiu linchá-los e queimá-los vivos. Isso foi a classe média. E quando a classe média lincha, a crueldade tende a ser maior, porque ela tem prazer no sofrimento da vítima. O pobre é igualmente radical, porém é mais ritual na execução do linchamento.
Qual é a diferença entre um linchador cruel e um ritual?
No caso de Matupá, por exemplo, o prazer de quem linchou foi ver sofrer. Os três nem sequer cometeram um crime contra a comunidade. Já o pobre lincha quando a condição humana é violada. É uma punição sacrificial da vítima do linchamento pelas vítimas que ele causou. Isso não exclui a crueldade, mas ela é diferente. A idéia, nesses casos, é punir o corpo e a alma. Há um caso no sertão da Bahia, na região de Monte Santo. Um rapaz estupra e mata uma professora da região. Ele é preso num quartel. Naquela noite, uma pequena multidão chega de caminhão ao quartel, rende os soldados, tira o sujeito da cadeia e o leva para o local do crime. No caminho, vão mutilando o rapaz. Chegando lá, ele ainda está vivo, mas é uma pasta. O moço é queimado vivo, que é como a maior parte dos linchamentos acaba no Brasil. Ou seja, ele teve de derramar seu sangue onde foi derramado o sangue de sua vítima.Aparentemente, é um ritual de troca do sangue. Como ele derramou o de uma pessoa inocente, de uma mulher presumivelmente virgem - o que agrava a dimensão simbólica e a sacralidade do corpo violado -, ele foi queimado. Na crença popular, quem morre desfigurado por violência não encontra o caminho da eternidade. O cego, especialmente. Por isso, é comum que arranquem os olhos do linchado.
A característica ritual desses linchamentos é uma invenção brasileira?
Levantei muito material sobre os EUA, onde a cultura é protestante. Lá, o caráter ritual não aparecia. A execução de negros, por exemplo, era sumária, por enforcamento. Inclusive, depois se fotografava o linchado e produziam-se cartões-postais com essas imagens. Era um ato para mostrar quem mandava.
O linchamento já foi usado como pena instituída?
Existe uma tradição antiga de vários países, especialmente asiáticos e árabes, em que a punição para determinados crimes é o linchamento por apedrejamento. Mas reservamos o termo para o início da sociedade moderna, em que surge a figura da multidão "indiferençada". O típico linchamento é na rua. Se há um assalto e alguém grita, forma-se uma multidão que não tem identidade. Quem passa por ali ataca. Não há planejamento.
As pessoas têm consciência do que estão fazendo?
Muitas vezes, não. E há casos comprovados disso. Um rapaz negro foi linchado na periferia do Rio e, quando a polícia chegou, havia uma velhinha da vizinhança, tipo vovozinha, com uma colher tentando arrancar os olhos do rapaz. A polícia teve enorme dificuldade para tirá-la de cima do morto. Foi preciso levá-la para o hospital e medicá-la para que voltasse a si. A multidão passa a ser outro sujeito.
Estamos todos sujeitos a participar de um linchamento?
Se você tem valores bem fundamentados, não vai participar de um linchamento. Ele envolve pessoas cuja referência social é frágil. O problema é que elas são maioria no Brasil. Estima-se que 500 mil brasileiros tenham participado de linchamentos nos últimos 50 anos. Não é um número pequeno.
Como agem os linchadores?
Inicialmente, corre-se atrás do linchado. A vítima sempre corre, mesmo armada. É tudo muito covarde, porque as pessoas não atacam com as mãos. Primeiro, estonteiam a vítima com pauladas e pedradas. Arrastar a pessoa é comum, sempre pelos pés, que é mais uma forma de degradar. O passo seguinte é a mutilação. Em caso de crime sexual, há a castração e, às vezes, ela é seguida por atos ainda mais humilhantes, como o de colocar o pênis do rapaz em sua própria boca. Por fim, queima-se o sujeito, vivo ou morto.
Esse tipo de imagem nos leva àquela velha questão: intrinsecamente, o homem é mau?
Não diria isso. Mas a camada de civilização é muito fina. Tudo o que a gente chama de civilização, esse conjunto de valores, é muito frágil. Basta um acontecimento que rompa essa seda para que o ser humano primitivo que está ali, embutido não de maldade, mas de instintos, venha para fora. Porém, mesmo na reação instintiva, há regras.
Há picos de linchamento no Brasil?
Sim. Pegando os últimos 50 anos, logo após o fim da ditadura militar, o sentimento da população era de que a ordem havia acabado e que tudo era incerto. E esse clima não acabou. Outro pico foi no fim da ditadura de Getúlio Vargas. E há um detalhe interessante. Quarta e quinta-feira são os dias de pico. Em geral, há poucos linchamentos aos domingos e segundas-feiras.
Por quê?
Provavelmente, porque nossos linchamentos são urbanos e, no meio da semana, as pessoas estão no pico do estresse, mais frágeis para resistir à tentação.
Punir quem lincha é uma forma de reprimir os linchamentos?
Quem mata tem que ser punido. Não punir significa estimular. Mas é difícil punir. Há um caso curioso no oeste de Santa Catarina, mais ou menos 20 anos atrás. Um rapaz foi linchado e levou uns 20 dias para morrer. Antes disso, conseguiu identificar 23 linchadores. Eles foram a julgamento. Os jurados absolveram 22 acusados. Só condenaram um: o mais pobre. Ele foi condenado a 7 anos de prisão. É complicado levar a julgamento, porque o júri tende a ter simpatia pelos linchadores.
Há mais casos de pessoas que foram presas por linchamento?
Sim, mas só um caso de condenação efetiva que eu conheça.
O fato de o linchamento não ser tipificado altera os números de violência no Brasil?
O número de assassinatos e tentativas de assassinato que não ocorrem por meio de linchamento é muito maior do que os que são provocados por linchamento. Então, isso não afeta significativamente os números de violência. Afeta, sim, a quantificação de linchamentos no Brasil. Há períodos em que acontecem mais e há períodos, de algumas semanas, em que nada acontece.
Quando?
No mês da Copa de 98, por exemplo, o Brasil não registrou nenhum linchamento. Poucas horas depois do último jogo da seleção brasileira, aconteceu um linchamento, que não tinha nada a ver com a partida. Isso confirma que há momentos, como a Copa do Mundo e a morte de grandes ídolos, como foi a do Ayrton Senna, em que a sociedade brasileira comunga. A desordem deixa de existir, porque há um sentimento que prevalece sobre o conjunto da diversidade e das adversidades. O Brasil só é Brasil nesses momentos.
Que papel a polícia desempenha nos linchamentos?
A polícia militar tem sido exemplar na proteção da vítima de linchamento. Inclusive, expondo-se a perigos. Às vezes, diante de evidências de que vai ocorrer um linchamento, a polícia se omite para permitir que ele ocorra. Mas, em geral, isso vem da polícia civil. Quando o delegado coloca um preso em determinada cela, pré-julga o criminoso e não o isola, ele está participando do linchamento que aquele preso pode sofrer na cadeia.
De onde vem o termo linchamento?
De um tal juiz Lynch, que atuava no oeste dos EUA, no século 18. Ele não era um juiz de verdade. As cidades que estavam nascendo ali não tinham lei. Quem violava as regras que estavam na consciência das pessoas era punido com o linchamento, que lá consistia em recobrir o corpo do fulano de betume e colocar penas de galinha nele, obrigando-o a desfilar pelo povoado, para todos saberem que ele deveria ser evitado. Era um linchamento moral e físico. No Brasil, já linchávamos no século 16. É o registro mais antigo que tenho.
Nos EUA, o linchamento esteve muito associado ao racismo. É surpreendente que, em tão pouco tempo, o país possa eleger um negro?
Os linchamentos dos EUA eram feitos principalmente entre pobres - pobres brancos linchando pobres negros. O governo Roosevelt criou alternativas para brancos e negros, com o desenvolvimento econômico. Além disso, as mulheres, que eram usadas como desculpa para linchar, fizeram um movimento lindíssimo e desarmaram a predisposição dos maridos. O último linchamento de que tenho notícia lá foi uns 10 anos atrás, de negros linchando um negro. As mudanças econômicas e as guerras, que abriram a possibilidade de um negro ser general, foram importantes. Os americanos já têm a Condoleezza Rice no governo, uma mulher muito culta. E isso abre caminho para o Barack Obama. Ainda há muito racismo, mas nada que mobilize multidões.



